21.5.08
História fantástica
Analista dos impactos da tecnologia das comunicações sobre o comportamento humano, Marshall McLuhan, num livro só recentemente publicado no Brasil, diz, a certa altura, o seguinte: “A velocidades eletrônicas ninguém toma decisões – cada qual se torna participante de uma situação complexa pela qual não pode assumir nenhuma responsabilidade.”
Essa afirmação chocante, pois colide com o entendimento generalizado de que todo ato humano envolve responsabilidades, pode ser ilustrada com a fantástica história a seguir. Ela resulta da reunião, sem compromisso com a coerência, de fragmentos das declarações feitas à CPMI dos Cartões Corporativos,
Era uma vez um experimentado funcionário do Tribunal de Contas da União, que por sua longa militância no PT fora convocado para prestar serviços à Casa Civil no atual governo.
Um dia, ele recebe de um subordinado uma relação de gastos exóticos do governo realizados durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas o que chama sua atenção não são os dados curiosos, pinçados dos gastos gerais da Presidência. Ele se encanta é com a planilha em que estão lançados. Esta lhe parece tão boa que resolve arquivá-la para aprimorá-la e torná-la perfeita para processos de prestação de contas.
Tempos depois, decide enviar um e-mail a um funcionário do Senado, que fora seu amigo, mas deixara de sê-lo e, agora, trabalha no gabinete do senador Álvaro Dias (PSDB/PR), ferrenho oposicionista.
Esquecido das cautelas necessárias numa comunicação desse tipo, o funcionário engana-se ao anexar o arquivo que pretenderia enviar junto com a mensagem. Remete, ao amigo de outrora, a planilha dos gastos polêmicos.
O destinatário estava de férias, mas, dias depois, resolve passar pela sua sala de trabalho, abre o computador e recebe a mensagem. Assim começa a história do vazamento de dados reservados da Presidência.
Se remetente e destinatário falaram a verdade, McLuhan tem toda a razão…
criado por deputadopannunzio
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