Deputado Pannunzio

Diretamente de Brasília, as opiniões e atuação do deputado Federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) no Congresso Nacional.

23.9.08

Lambança municipalista

O território brasileiro acha-se dividido em 5.562 municípios. Destes, 1480, ou 26,6% do total, foram criados em apenas oito anos.
Entre 1988, quando foi promulgada a atual Constituição, e 1996, quando o Congresso, através da Emenda Constitucional nº 15, suspendeu a prerrogativa dos Estados de instituir municípios, criou-se no país um município novo a cada dois dias.
Das unidades administrativas surgidas naquele período, muitas têm população inferior ao número de alunos de uma escola pública de bairro populoso de uma cidade grande.
Numeroso é o grupo dos que não dispõem, até hoje, de um produto interno bruto suficiente para pagar as despesas administrativas geradas pela emancipação: salário do prefeito, secretários municipais, vereadores e funcionários da Câmara Municipal.
Com justificável preocupação o País tomou conhecimento de que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou dia 3 uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que descongela, sob condições, a criação de novos municípios pelos Estados. A exigência nova é a demográfica. Os novos municípios deverão ter pelo menos 5 mil habitantes, nas regiões Norte e Centro-Oeste; 7 mil no Nordeste e 10 mil nas regiões Sul e Sudeste.
A introdução dessa cláusula nova vem suscitando resistências, pois o número de distritos em condições de atender suas exigências é pequeno. Não é impossível, pois, que na tramitação da matéria as cláusulas restritivas sejam derrubadas. Se isso ocorrer, voltaremos à situação que vigorou até 1996. Haverá uma retomada pura e simples da transformação de distritos em municípios, sem se levar em conta a consistência populacional e viabilidade econômica das futuras sedes municipais.
Atualmente, em 24 das 27 Assembléias Legislativas do Brasil tramitam propostas para a criação de 806 municípios novos. Se todas se consumarem, surgirão, da noite para o dia, 806 cargos de prefeitos e outro tanto de vices, umas 7.200 cadeiras de vereadores e algumas dezenas de milhares de empregos públicos nas novas prefeituras e câmaras.
Tudo isso, sem quaisquer benefícios perceptíveis para os cidadãos, chamados a pagar, com seus impostos, a conta da lambança.

criado por deputadopannunzio    10:41 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Paulo Ivan Moreira Fonseca — 14.10.08 @ 18:30

    Que beleza; agora os Irmãos Petralha terão novos municípios nanicos pra ganharem as eleições em primeiro turno, como fez o Toninho do Açougue em Borá, menor cidade do estado de São Paulo, que aliás, no melhor estilo Maistacha Suplício, NÃO quis dar entrevista pro progrma CQC da Band.

  2. Comentário por Edison R A Rosa — 14.10.08 @ 18:32

    Este fato é bastante preocupante, mas a população em geral, pode ajudar a impedir ou mesmo a chegar estas informações aos mesmos como?
    Deputado, qual a prcela da população sabe dos municipios que não tem renda propria? ou mesmo os letrados?
    Este comunicado chega-me pois sou filiado e os demais? Obviamente n~]ao coseguiremos emails de todos, mas já se faz necessário da população saber um pouco mais das ações dos nossos representantes, através quem sabe da abertura de um canal de tv aberta.

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