20.10.08
Recurso explÃcito ao preconceito
Os primeiros momentos da campanha de segundo turno, nas duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, foram marcados pelo recurso explícito ao preconceito como forma de arrebanhar votos.
Em São Paulo, a pretexto de explorar os antecedentes políticos do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que lidera com folga as intenções de voto, marqueteiros políticos da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) produziram peça publicitária que indaga se ele é casado e tem filhos. No Rio de Janeiro, marqueteiros do candidato Eduardo Paes (PMDB), usando uma palavra fora de contexto do candidato Fernando Gabeira (PV), tentam jogá-lo contra o eleitorado dos subúrbios cariocas.
Na eleição presidencial de 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN), adversário da recém-extinta ditadura do Estado Novo, era o favorito na disputa com o general Eurico Dutra (PSD), que fora o pilar do regime.
O empresário paulista Hugo Borghi, colocando na boca do candidato de oposição palavras que ele não dissera, propagou que o brigadeiro não queria o voto dos marmiteiros, os trabalhadores que levavam a comida de casa para o trabalho em marmitas.
Nunca se saberá quantos votos a informação distorcida subtraiu à candidatura que, até aquele momento, era apontada como vitoriosa. Difundida amplamente pelo rádio, sobre o qual a Justiça Eleitoral então não tinha controle, a manipulação colou em Eduardo Gomes o rótulo de candidato antipopular, que ele nunca conseguiu desprender.
O uso de práticas assemelhadas nas campanhas em curso demonstra que o preconceito e a recepção não crítica de informações continuam vivos e fortes. De momento são alimentados por quem tenta reverter uma situação eleitoral difícil ou conter a rápida ascensão do adversário iniciada no final do 1º turno.
A eleição é a maneira civilizada que as democracias encontraram para decidir, sem recurso à violência, uma questão nevrálgica: quem exercerá o mando político.
A natureza do problema nelas implícito explica as recaídas da propaganda em práticas censuráveis. Mas não as justifica nem as torna toleráveis.
criado por deputadopannunzio
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