11.12.08
A reinvenção do presidencialismo

Apoiando-se em idéias do cientista político Norman Ornstein, o colunista Thomas Friedman, do New York Times, defende que Tim Geithner (foto), escolhido pelo presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama como seu futuro secretário do Tesouro, seja nomeado para o cargo pelo atual presidente George W. Bush e entre, imediatamente, no desempenho de suas funções.
Pesquisador do American Entenprise Institute, uma organização financiada por conservadores, Ornstein não é um revolucionário. O temor que ele partilha com Friedman e, certamente, um número muito grande de outros cidadãos americanos, é que seu país não tenha condições de esperar os mais de 50 dias que o separam da posse de Obama, em 20 de janeiro, para começar a por em prática as medidas destinadas a superar a mais grave crise da economia mundial. Ela coloca para os Estados Unidos um desafio inédito, difícil de ser solucionado com base em normas vigentes há mais de 200 anos: permitir que o presidente eleito, em cujas mãos se concentram o poder de fato e as esperanças dos governados, definir antecipadamente decisões que, oficialmente, somente poderá tomar no final de janeiro.
Analistas de sistemas de governo há muito comparam o presidencialismo a uma panela de pressão sem válvula de segurança. A praxe de mandatos rígidos e estanques se mostra cada vez menos compatível com um mundo em que os fatos se sucedem em velocidade acelerada. Os mecanismos de transição até agora definidos mostram-se insuficientes em razão das diferenças de orientação entre o governo que finda e aquele preste a iniciar-se. Em 1989, na Argentina, o presidente Raul Alfonsín, em final de mandato e às voltas com uma crise que não conseguia controlar, conduziu um entendimento que antecipou a posse de seu sucessor e adversário Carlos Menem, para evitar que o país naufragasse.
Nos Estados Unidos, o máximo a que se chegou, nessa matéria, lembra Friedman, foi a posse improvisada de Lyndon B. Johnson, no interior do avião presidencial em vôo de Houston para Washington, logo depois do assassinato do presidente John Kennedy. De todo modo, com um incêndio lavrando no resto da casa, é surreal gastar tempo discutindo que cor ficaria melhor na pintura da sala. Ao defender a nomeação e, mais que isso, a entrada em função de Geithner, executando as diretrizes do futuro governo Obama em pleno mandato de Bush, os que vozes autorizadas começam a defender, por vias oblíquas, é a flexibilização do mandato presidencial quando haja um consenso de que as circunstâncias assim o exigem.
Os norte-americanos terão que, de algum modo, reinventar parcialmente o presidencialismo para prevenir danos que, crescendo em ritmo exponencial até o final de janeiro, tendem a alongar muito o período necessário à recuperação da principal economia mundial e tornar os custos da reconstrução insuportáveis para bilhões de indivíduos.
criado por deputadopannunzio
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Comentário por Dualib — 18.12.08 @ 9:48
O Obama vai ser o melhor presidente dos últimos tempos dos EUA! vai dar um jeito nessa crise, mas concordo que a gestão dele deveria ser antecipada. Ele ja´começa a fazer muita coisa e o Bush precisa sair de cena o quanto antes. Sapatada nele!